Em lugar nenhum
Pe. Renato Moreira
Por Renato Moreira Sex, 20 de Agosto de 2010 04:10
“ - Meu amigo, não faça isto!”, exclamou João ao seu colega de trabalho Marcos. Os dois trabalhavam numa marcenaria, na cidadezinha de Mega, interior remoto do Estado das Ligranas, lá no país de Utopos.
A vida lá era boa. Todos viviam satisfeitos.
Democracia era coisa desconhecida por aquelas bandas. O povo atingiu tanta consciência a respeito dos direitos e dos deveres, que não havia necessidade de entregar parcela da própria liberdade e colocar na mão de um representante comum.
Jean Jacques Rousseau e o seu contrato social eram ridicularizados nas ruas e, nas faculdades da cidade, estudados apenas na grade curricular do curso de história. Nos cursos de direito e filosofia, era apenas uma teoria ultrapassada. Todos sabiam o que podiam e o que deviam.
Ele é a luz
Pe. Renato Moreira
Por Renato Moreira Sex, 30 de Julho de 2010 05:51
Às vezes, a famosa luz no fim do túnel não aparece. A escuridão é maior que a claridade e corremos o risco de desesperar. Nem mesmo respirar fundo e fechar os olhos ajudam. Não conseguimos pensar, e o exercício da razão é algo quase impossível. A tempestade mental se instala e o turbilhão de pensamentos ruins gera o caos.
Somos frágeis, constatamos, pois sentimos que não controlamos nossas emoções, mas, sim, são elas que comandam o nosso corpo. No momento da raiva, ou da dor, ou, ainda, do sofrimento, o coração acelera, as faces ficam rubras, as mãos suam e gelam, e o estômago parece embrulhar.
A alma também sente as conseqüências de tudo isso. A insegurança e a indecisão insistem em desestruturar qualquer alicerce já lançado. O tremor do espírito é inevitável. Todos nós sentimos isto e fugir é ineficaz, não resolve nada.





As valas cavadas eram profundas e do seu interior surgia um mau cheiro horrível. Havia quem regurgitasse sentindo aquele odor. Francisco, um Francisco qualquer, sem eira e nem beira, conseguiu aquele emprego a muito custo – humilhou-se e teve que dar demonstrações hercúleas de que aguentaria o tranco – e não estava muito disposto a dispensá-lo. As tripas reviravam quando um cano de esgoto era, acidentalmente, estourado; mas as tripas também reviravam de fome, quando o dinheiro da quinzena não era suficiente para pagar a bodega.
Deus vai nos dando sinais de que o mundo é dele. Quando estamos desiludidos com tanta corrupção e pequenez da parte dos homens, gestos simples comprovam que a humanidade é, sim, capaz de se superar.
Calma, espere um pouco.